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João Paulo II celebra hoje (16 de Outubro ) 25 anos de pontificado

Papa pede aos fiéis para continuarem a apoiá-lo com as suas orações

O Papa João Paulo II, que hoje ( 16 de Outubro ) celebra 25 anos na liderança da Igreja Católica Apostólica Romana, apelou aos milhares de fiéis do mundo inteiro que se concentraram na Praça de S. Pedro, no Vaticano, para o ajudarem, com as suas orações, a encontrar forças para prosseguir com a sua missão.

Visivelmente cansado e com a voz trémula, João Paulo II celebrou uma missa em comemoração do 25º aniversário do seu pontificado. Com 83 anos e doente, o Papa saudou as dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de S. Pedro, entre as quais muitos polacos, mas apenas conseguiu proferir as primeiras palavras do seu discurso. O restante foi lido pelo monsenhor Leonardo Sandri, substituto do secretário de Estado do Vaticano. O Papa viria a retomar a palavra para dizer uma oração.

"Agora que agradeço a Deus por estes 25 anos, sinto uma necessidade particular de vos exprimir a minha gratidão, irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, que haveis respondido e continuareis a responder, de diferentes formas, aos meus pedidos de ajuda", disse João Paulo II, apelando aos fiéis para não interromperem "essa grande obra de amor em prol do sucessor do Pai" e para alargarem as suas preces a todos aqueles que "pretendam servir o Homem e a Humanidade".

No início da missa, Joseph Ratzinger, prefeito para a Congregação para Doutrina da fé, cumprimentou o Papa "como uma mãe que se ocupa dos filhos". "Hoje, toda a Igreja lhe agradece os serviços prestados em 25 anos. Irmãs e irmãos não católicos, homens de boa vontade de outras religiões e convicções, agradecem-lhe também", afirmou o cardeal alemão.

A celebração de hoje serviu também para reunir colégio de 165 cardeais, que, vindos de todas as partes do mundo, deverão fazer um balanço sobre o último quarto de século do Vaticano e entregar as suas conclusões a João Paulo II. Amanhã, o Papa vai confirmar a nomeação de 31 novos cardeais.

Há 25 anos atrás, o cardeal arcebispo Karol Wojtyla transformava-se no primeiro Papa polaco da história da Igreja Católica Apostólica Romana, após 455 anos de Papas italianos. O eleito chegou à janela e disse com voz forte: "Não tenham medo! Abri as vossas portas a Cristo!". Em seguida, pediu desculpa por não saber falar italiano.

O primeiro momento marca os anos que se seguem. É um homem jovem (com 58 anos, é o mais novo dos últimos nove antecessores) e vigoroso quem aparece perante a multidão. Logo em Janeiro seguinte, João Paulo II (nome que escolheu em homenagem aos seus três antecessores) ajoelhou-se e beijou solo da República Dominicana, etapa inicial (antes do México e das Bahamas) da primeira das 102 viagens fora de Itália até agora efectuadas.

O gesto de beijar o chão passará a marcar cada deslocação do Papa Wojtyla. Mas as viagens também servem para criar polémica - com protestantes ou budistas, com ortodoxos ou muçulmanos - ou para admoestar os que têm do catolicismo um entendimento diferente do Papa: na Nicarágua, João Paulo II estende o dedo indicador perante Ernesto Cardenal, padre e membro do Governo sandinista de esquerda.

A 13 de Maio de 1981, o homem de branco que não se importa de circular apertado entre multidões, é atingido pelos disparos do turco Ali Agca em plena Praça de São Pedro. As fotos do momento mostram, primeiro, uma mão de pistola em punho, a dois ou três metros do carro em que se desloca Wojtyla. No instante seguinte, João Paulo II está caído nos braços dos seus seguranças e é transportado em vertigem para o hospital. A operação dura seis horas. Quatro dias depois, dirige-se aos fiéis a partir do seu quarto do hospital, e os últimos anos - após várias hospitalizações e intervenções cirúrgicas e com a doença de Parkinson a atingi-lo progressivamente - confirmam que é de sua vontade que as pessoas entendam que o Papa é um homem que vive e sofre como qualquer outro, que envelhece e se debilita progressivamente. Com os antecessores, essa imagem era impossível.

Em Outubro de 1986, em Assis, Wojtyla reúne-se com líderes religiosos de todo o mundo a rezar pela paz; repetirá o gesto em mais duas ocasiões, a última das quais em Janeiro de 2002, depois dos atentados do 11 de Setembro. A sua preocupação com o diálogo ecuménico (entre católicos, protestantes, ortodoxos e anglicanos) e inter-religioso (fundamentalmente com judeus, muçulmanos e budistas) terá o seu ponto alto noutra imagem forte: em Março de 2000, João Paulo II toca o Muro das Lamentações, em Jerusalém, e ali deposita uma folha onde tem escrito um pedido de perdão aos judeus pela forma como estes foram tratados pelos católicos ao longo da história.

Em 24 de Dezembro de 1999, Wojtyla abre a porta que simboliza o início do jubileu dos 2000 anos do nascimento de Cristo. Quando se ajoelha perante ela, é já um Papa vergado ao peso dos anos e da fadiga que está de costas para os milhões que o seguem pela televisão. Atingido pela dureza de muitas polémicas criadas por várias das suas decisões, depois de ter ajudado à queda dos regimes comunistas do Leste, opondo-se a que internamente a Igreja se abra a um maior pluralismo, obstinado em prosseguir até ao fim porque um Papa "nunca resigna", cansando muitos católicos que já não se revêem nas suas orientações, Karol Wojtyla, ou João Paulo II, transforma-se num ícone. O próprio não pode deixar de sofrer com as mudanças que ele imprimiu na Igreja e no mundo, desde aquele já distante 16 de Outubro de 1978.


ORAÇÃO DO PAPA


João Paulo II retomou a leitura do texto para dirigir uma oração de súplica em forma de poesia:


“A Ti, Senhor Jesus Cristo,
único Pastor da Igreja,
ofereço os frutos deste vinte e cinco anos de ministérios,
ao serviço do povo que me foi confiado.
Perdoa o mal feito e multiplica o bem:
Tudo é obra tua e só a ti é devida a glória.
Com plena confiança na tua misericórdia,
Apresento-te, hoje outra vez, os que há muitos anos
Confiaste ao meu cuidado pastoral.
Conserva-as no amor, reúne-as no teu redil,
Leva as mais fracas aos ombros,
Sara as feridas e toma conta das fortes.
Tu, o seu Pastor, para que não se dispersem-
Protege a Igreja dilecta que está em Roma
E as Igrejas do mundo inteiro.
Enche com a luz e a força do teu Espírito
Quantos colocaste à frente do rebanho:
Possam cumprir a sua missão
De guias, mestres e santificadores,
Na esperança da tua vinda glorioso.
Renovo, pelas mãos de Maria, mãe amada,
O dom de mim próprio, do presente e do futuro:
Tudo se cumpra segundo a tua vontade.
Pastor supremo, fica no meio de nós,
Para que possamos continuar seguros, contigo,
Em direcção à casa do Pai. Amen!”


 Faleceu o Santo Padre

 O Vaticano acaba de confirmar a morte de Sua Santidade, o Papa João Paulo II. O Santo Padre faleceu segundo um comunicado divulgado pelo Vaticano.

   

O falecimento ocorreu às 20h37 de 2 de Abril 2005.
 
De seu nome Karol Jósef Wojtyla, o Santo Padre nasceu a 18 de Maio de 1920, em Wadowice, Cracóvia, na Polónia.
 
O seu Pontificado - o terceiro mais longo da história da Igreja - teve início a 16 Outubro 1978, após a brevíssima passagem pela Cadeira de Pedro de João Paulo I.
 
Foi às 18h18 que o Cardeal de Cracóvia foi eleito pelos membros do conclave como o 263º sucessor de Pedro. Toma o nome de João Paulo II.